A osteoporose e a menopausa

Segundo a Associação Nacional Contra a Osteoporose, cerca de 800 mil portugueses sofrem de osteoporose, registando-se uma média anual de 50 mil fraturas. Assustador? Muito. Mas saiba que a osteoporose pode ser prevenida e tratada, mesmo durante a menopausa.

Osteoporose silenciosa

Com a chegada da menopausa, muitas mulheres descobrem padecer de osteoporose. Sim, trata-se efetivamente de uma “descoberta”, na medida em que a osteoporose raramente se manifesta ou apresenta sintomas, sendo apenas detetada mediante exames específicos ou, no pior dos casos, depois de alguma fratura que acaba por alertar para a existência de osteoporose.

Sendo uma doença que se caracteriza pela diminuição da massa óssea e por uma alteração da qualidade microestrutural do osso, a menopausa leva a uma diminuição da resistência óssea e, consequentemente, a um aumento do risco de fraturas (especialmente nas vértebras, nos pulsos e na anca). Curiosamente, a osteoporose pode ainda levar a uma alteração corporal, na medida em que se pode registar uma perda de altura superior a 2,5 centímetros e o surgimento daquilo que denominamos de postura “corcunda” e ombros descaídos. Paralelamente, podem notar-se dores agudas e constantes nas costas, que mesmo os analgésicos tardam em atenuar.

O que pode causar a osteoporose?

Existe uma série de fatores não modificáveis que caracterizam as pessoas com maior probabilidade de padecer desta doença – são eles o sexo feminino, a idade superior a 65 anos, a magreza excessiva, a estatura baixa, a história familiar e a raça caucasiana ou asiática. Outros fatores, já modificáveis, devem ainda ser tidos em conta: o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, uma dieta pobre em cálcio, a vida sedentária, ou ainda a menopausa precoce.

De facto, a osteoporose é, na maior parte dos casos, descoberta por acaso (sobretudo depois de alguma fratura), mas é possível identificá-la atempadamente. O exame que a deteta é uma osteodensitometria de dupla energia radiológica, podendo ainda ser realizadas avaliações laboratoriais e radiogramas da coluna dorsal e lombar de perfil, que podem identificar a doença e rastrear a eventual presença de deformações vertebrais. Na osteoporose, tal como na maioria das doenças, a deteção atempada fará com que o tratamento seja o mais eficaz possível.

É importante perceber que a osteoporose não é uma consequência inevitável da velhice. De facto, é possível preveni-la e, muitas das vezes, não chegar nunca a padecer desta doença. Para isso, é crucial dar importância às seguintes atitudes, quer seja uma mulher menopáusica ou não:

  • Evitar o consumo de álcool em excesso e o tabaco
  • Praticar exercício físico com regularidade
  • Garantir uma boa postura corporal (tanto em pé, como sentados ou quando nos baixamos), para evitar sobrecarga nos músculos, ossos e ligamentos
  • Promover uma alimentação saudável e rica em cálcio, já que o nosso corpo não o consegue fabricar e ele advém totalmente da alimentação que fazemos
  • Repor, nas mulheres em transição para a menopausa, e através de fármacos aconselhados pelo médico, os níveis hormonais de estrogénio

Mais vale tarde do que nunca

E, se nunca é demasiado cedo para prevenir a osteoporose, também nunca é demasiado tarde para a tratar. Existe hoje uma série de medicamentos que ajudam no tratamento contra a osteoporose: reduzem o risco de fraturas e aliviam ainda a dor. A par com a medicação, é importante que a mulher cumpra ainda todos os conselhos de prevenção expostos atrás, e que tenha o maior cuidado ao evitar todo o tipo de quedas e consequentes fraturas – que, num doente com osteoporose, podem ser muito mais danosas do que numa pessoa que não padeça desta doença. É ainda importante que se tomem suplementos de cálcio e vitamina D e que, caso já se tenha registado alguma fratura prévia, se utilizem protetores da anca. No fundo, trata-se de garantir a melhor segurança possível, numa doença altamente instável e discreta.

Importante ainda é ter em conta que a osteoporose, conhecida pelos seus quatro níveis de classificação (normal, osteopenia, osteoporose e osteoporose grave), deixa registo na história da família. Sabia, por exemplo, que as filhas e netas de uma mulher com osteoporose têm uma probabilidade acrescida de virem a sofrer da mesma doença? A prevenção deve dar-se logo desde a idade jovem!

Sim, a osteoporose é uma doença silenciosa, normalmente detetada depois de instalada no corpo, e que pode levar a uma qualidade de vida inferior. Mas não é um dado adquirido. Com as devidas prevenções e o asseguramento de um estilo de vida saudável, é possível viver a menopausa e a terceira idade, quase literalmente, “com uma perna às costas”.

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