Menopausa precoce: chega cedo e sem avisar

Mulher com menopausa precoce

Apesar de, em geral, a menopausa estar associada às mulheres entre os 45 e os 55 anos de idade, a verdade é que esta fase da vida feminina pode surgir bem mais cedo. A menopausa precoce pode ser natural ou induzida: descubra as diferenças e os sinais aos quais deve estar atenta, para que ela não a apanhe de surpresa.

Definição médica

No mundo da saúde e da medicina, a menopausa precoce é quando uma mulher deixa de menstruar muito antes do tempo dito “normal”, ou seja, antes dos 40 anos de idade. A menopausa precoce afecta cerca de 10% da população feminina e dessas apenas 2% experienciam a “verdadeira” menopausa prematura. Em termos de sintomas, a menopausa precoce é muito semelhante à menopausa em geral, sendo a grande diferença a intensidade desses mesmos sintomas. Ou seja, uma mulher mais jovem, supostamente a viver ainda o seu período fértil, sofre muito mais em termos físicos e psicológicos, simplesmente porque a menopausa chegou mais cedo do que o habitual. Se já é difícil viver com a menopausa na sua fase apropriada, mais difícil se torna quando é prematura.

Causas

Embora ainda estejam a ser alvas de estudos intensivos, as causas conhecidas da menopausa precoce são várias e dividem-se em dois grupos: menopausa natural ou induzida.

  • A menopausa natural pode ter na sua origem factores genéticos (principalmente se existem 3 ou mais casos semelhantes na família) ou imunológicos (nomeadamente o desenvolvimento de doenças auto-imunes que, ao produzirem auto-anticorpos, atacam os ovários, provocando a sua degeneração e, consequentemente, a menopausa).
  • A menopausa induzida está directamente relacionada com intervenções cirúrgicas, bem como tratamentos de quimioterapia e radioterapia. Define-se a menopausa cirúrgica como aquela que resulta da excisão dos ovários em consequência de tumores ou quistos localizados, mas também devido a doenças pélvicas (graves ou crónicas) ou a endometriose. Se estas condições médicas não obrigarem a remoção dos ovários, os tratamentos associadas às mesmas (quimioterapia e radioterapia) podem danificar os ovários permanentemente.
  • A histerectomia também pode ser outra fonte de origem da menopausa precoce, uma vez que passou a ser prática comum remover os ovários (como medida preventiva contra doenças ováricas futuras) sempre que se realizasse esta intervenção cirúrgica. No entanto, estudos recentes afirmam que essa é uma medida desnecessária, principalmente se o órgão estiver perfeitamente saudável. Se vai ser submetida a esta cirurgia, aconselhe-se com o seu médico, sobretudo porque as mulheres que tiveram uma histerectomia tendem a viver a menopausa até cinco anos antes da fase considerada normal.
  • Com a remoção completa dos ovários o corpo feminino deixa de produzir as hormonas tão necessárias ao funcionamento pleno desse órgão reprodutivo, levando à menopausa. No entanto, a produção de hormonas, o ciclo menstrual e os níveis de fertilidade mantêm-se, mesmo se existir apenas parte de um ovário.

Efeitos

Os sintomas da menopausa precoce são idênticos aos da menopausa em geral, porém, os afrontamentos e a diminuição da libido são mais intensos se está a viver uma menopausa induzida. Para além disso, a menopausa prematura põe em risco a fertilidade de uma mulher, o que pode ser particularmente traumatizante se ainda não teve filhos. Em consequência, esta situação pode levar a mulher a questionar a sua própria feminilidade e sexualidade, desencadeando estados depressivos.

Consulta médica

Se suspeita que possa estar a sofrer da menopausa precoce deve consultar o seu médico. Uma vez descartada a hipótese de gravidez (a razão mais comum para a alteração do ciclo menstrual), o seu médico recomendará a realização de análises hormonais ou um teste com progestativo. Estes procedimentos vão permitir a medição dos níveis de estradiol (a hormona principal do estrogénio) – se este estiver baixo e os níveis da hormona hipófisaria estiverem muito altos, confirmar-se-á a menopausa precoce. A estas análises juntam-se ainda a medição dos valores da prolactina e da função tiroideia.

Posologia

A terapia hormonal de substituição é o tratamento mais utilizado para tratar a menopausa, seja ela precoce ou não. Saiba ainda que as mulheres com menopausa precoce têm uma maior probabilidade de vir a sofrer de osteoporose e de doenças cardiovasculares… daí a importância da medicação e da sua toma regular. Tão importante como seguir à risca a posologia receitada pelo seu médico (e que pode estender-se durante vários anos), é manter uma atitude positiva relativamente à sua feminilidade. Não é menos feminina, nem deixou de ser mulher apenas porque está a viver uma menopausa precoce.

Menopausa precoce, mas reversível

Pensa que entrou na menopausa precoce, mas pode estar enganada. A ingestão de alguns medicamentos – nomeadamente aqueles utilizados no tratamento da endometriose, das fibróides e do cancro da mama – podem provocar sintomas muito parecidos ou iguais aos da menopausa, no entanto, desaparecerão com a suspensão ou conclusão do tratamento. No fundo, trata-se de uma “menopausa falsa” e, claro, completamente reversível.

Prevenir sempre

Já todas sabemos que um estilo de vida saudável, assente num regime alimentar salutar e bastante exercício físico é o segredo para o bem-estar geral e para a longevidade. Mas também se aplica à menopausa, uma fase da vida que pode ser “atrasada” graças a essas atitudes saudáveis. Existem ainda outros factores que podem contribuir para uma menopausa longínqua em vez de uma menopausa precoce: evitar o tabaco e o álcool em excesso, assim como as dietas de emagrecimento.

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