Como lidar com os problemas de concentração na menopausa

Mulher ao telefone

Problemas de concentração são apenas mais um dos cerca de três dezenas de sintomas associados à menopausa e que assustam significativamente qualquer mulher que parece perder simples capacidades de focalização quase que de um dia para o outro. Para que não seja apanhada de surpresa, saiba como se manifestam os problemas de concentração na menopausa e o que fazer para manter o cérebro em forma.

Menopausa ou idade?

Os problemas de concentração são largamente associados ao avanço da idade, no entanto e embora isso possa ser aplicável no caso de muitas mulheres menopáusicas, a verdade é que a falta de concentração não é apenas um sintoma da menopausa em si, como também é influenciado ou causado por outros sintomas, caso das insónias que, por sua vez, têm nos suores nocturnos o grande culpado. Um efeito bola de neve que resultam numa ou em várias noites mal dormidas, que contribuem para uma fadiga crescente e que afecta negativamente a capacidade de concentração e de memória. A esta situação juntam-se ainda as perturbações psicológicas que possam afectar uma mulher menopáusica nesta fase da sua vida: o próprio facto de ter entrado na menopausa (que origina depressão e ansiedade), as alterações físicas e emocionais que ela suscitou, eventuais problemas de relacionamento, os filhos que estão a sair de casa, os pais idosos que necessitam de uma atenção redobrada… tudo junto gera uma enorme nuvem de tensão e stress que se reflecte na perda de concentração.

Não me consigo concentrar

As dificuldades de concentração manifestam-se das mais diversas formas e intensidades, variando de caso para caso: perda de raciocínio, desorientação, esquecimento, pensamentos difusos/vagos, incapacidade de concentração durante longos períodos de tempo, incapacidade de focar tarefas complexas. Enquanto uma mulher pode sentir todos esses efeitos numa escala mais reduzida; outra mulher pode sentir apenas um ou dois, mas de uma forma muito intensa; enquanto algumas mulheres passam a sentir maior dificuldade na focalização de tarefas simples, outras sentem isso apenas em relação a tarefas mais complexas. O que significa que este tipo de problemas pode afectar em larga escala o quotidiano diário da mulher, quer em casa, quer no trabalho. Por vezes, a intensidade é tal que muitas mulheres chegam a pensar que possam estar a sentir os primeiros efeitos de Alzheimer. É o seu caso? Continue a ler.

O que está a acontecer?

Fisiologicamente, os problemas de concentração na mulher menopáusica estão intimamente associados à flutuação hormonal que caracteriza toda esta fase da vida do sexo feminino. O estrogénio é uma peça chave no que toca à regulação dos três neurotransmissores responsáveis pelo correcto funcionamento cognitivo, incluindo as capacidades de concentração e de memorização. Quando os níveis de estrogénio estão elevados, também a produção de acetilcolina, serotonina  e norepinefrina  está elevada, o que significa que as funções cognitivas em questão mantêm-se inalteradas. No entanto, ao verificar-se uma diminuição dessa produção – que é precisamente o que acontece na menopausa – o resultado é a dificuldade ou a incapacidade de concentração. Em adição, convém lembrar que é o estrogénio que estimula a circulação sanguínea até ao cérebro, contribuindo para o seu estado de alerta e energia.

10 dicas para pôr o cérebro em forma

Entre pequenas alterações no estilo de vida, o recurso à medicina alternativa ou tradicional, existem várias coisas que podem ser feitas para combater os problemas de concentração na menopausa, para pôr e manter o cérebro em forma.

  1. Faça algum tipo de exercício aeróbico pelo menos três vezes por semana – para além de se sentir física e psicologicamente rejuvenescida (favorece a circulação que transmite mais energia e oxigénio ao cérebro), vai dormir muito melhor. Sabia que uma boa caminhada ou sessão de natação tem a mesma capacidade para aumentar os níveis de concentração que muitos fármacos estimulantes?
  2. Aumente o consumo de ómega 3 e 6 (salmão, atum, nozes e outras proteínas) – os ácidos gordos presentes nestes alimentos actuam ao nível da capacidade de estar alerta e concentrada; colina (ovos, produtos de soja) – esta substância é benéfica para a produção de acetilcolina; fruta e legumes – os antioxidantes presentes nestes alimentos protegem o cérebro contra a instalação de “radicais livres”.
  3. Diminua o consumo de álcool (dificulta a concentração e a capacidade do cérebro armazenar e recuperar informação); cafeína (contribui para o aumento dos níveis de stress e ansiedade, para além de prejudicar um sono retemperador); e açúcar (embora dê uma sensação de bem-estar imediata, a sua duração é limitada e provoca uma acentuada diminuição de energia pouco depois).
  4. Estimule o cérebro através de actividades como a leitura, palavras cruzadas ou sudoku.
  5. Invista numa boa noite de sono, assegurando-se que tem uma horário fixo para se deitar e levantar; que o ambiente do quarto seja agradável e confortável; praticando actividades como meditação, respiração abdominal, ioga ou tai chi que são relaxantes muito eficazes.
  6. Dedique-se a actividades que a ajudam a descontrair, deixando-a mais tranquila: jardinagem, passeios a pé, artes decorativas, massagens, fotografia
  7. Reduza os factores de stress existentes na sua vida e procure fomentar o pensamento positivo.
  8. A aromaterapia e a fitoterapia são ramos da medicina alternativa que podem ser eficazes no melhoramento de problemas de concentração.
  9. Enquanto potenciadores da capacidade de concentração, a toma de suplementos de Vitamina E, Gingko Biloba, Huperzine A, Acetilcarnitina ou Ginseng pode ser uma boa opção.
  10. No caso de não sentir melhorias significativas, fale com o seu médico que lhe pode receitar um medicamento convencional apropriado.  
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