Como lidar com os lapsos de memória na menopausa

Mulher com perda de memoria

Em termos psicológicos, um dos sintomas mais preocupantes para as mulheres menopáusicas são os lapsos de memória, não só porque se manifestam no período perimenopausa, mas porque põem em questão tudo aquilo que pensavam ser e saber até esse momento. Influenciados pelo desequilíbrio hormonal e outros sintomas da menopausa, o importante é não permitir que os lapsos de memória a façam perder a cabeça.

Um cocktail de esquecimento

A nossa memória começa a deteriorar a partir dos 20 anos de idade e a partir dos 40 as células cerebrais começam a morrer; no entanto, a inteligência quantificável só começa a diminuir a partir dos 60 anos de idade e acelera a partir dos 80 anos. Por isso, e embora uma mulher menopáusica está obviamente a envelhecer, não é esse o culpado dos lapsos de memória, mas sim o desequilíbrio hormonal que resulta da quebra acentuada da produção de estrogénio – hormona responsável por várias funcionalidades cerebrais. Tal como muitos outros indícios da menopausa, também os lapsos de memória têm noutros sintomas parte da sua origem. A junção de dois ou mais dos seguintes efeitos menopáusicos podem contribuir para o agravamento deste tipo de episódio: afrontamentos, suores nocturnos, insónias, depressão, ansiedade, stress e alterações de humor. No entanto, existem ainda outros factores de risco aos quais deve estar atenta se tem verificado problemas de memória, nomeadamente: o consumo excessivo de álcool, deficiências alimentares e nutritivas, sono/descanso insuficiente, carga de trabalho excessiva, alguns medicamentos (antidepressivos, tranquilizantes, ansiolíticos, fármacos para a pressão arterial, coração e dores). Cada caso é um caso, por isso, as mulheres devem considerar todos os sinais.

A culpa é do estrogénio

A chegada do estrogénio ao cérebro activa diferentes regiões do mesmo, incluindo o hipocampo, ou seja, a área responsável pela memória – onde o estrogénio estimula os níveis de acetilcolina, um neurotransmissor que influencia a nossa capacidade de reter e recuperar factos, eventos, impressões e experiências. Para além disso, o estrogénio actua ainda a outro nível: relaxa e abre os vasos sanguíneos cerebrais, o que permite transportar mais sangue e oxigénio ao cérebro – ambos extremamente importantes para a memorização, entre outras funções cerebrais, caso do estado de espírito e da linguagem. Curiosamente, o estrogénio está directamente ligado à nossa habilidade de recordar nomes e palavras, por isso, não é de estranhar que diminuída a produção desta hormona, uma mulher menopáusica sofra lapsos de memória ou outras dificuldades de memorização.

Não sei onde deixei os óculos

Afectando cerca de 95% da população menopáusica, os lapsos de memória são momentos fugazes em que a mulher perde a capacidade mental de reter ou reaver determinado dado ou informação; e são duas as memórias que podem ser afectadas com um episódio desta natureza: memória de curto prazo (a capacidade de recordar informação durante breves instantes, caso de um número telefone que quer marcar naquele momento) e memória de longo prazo (também conhecida como memória remota, está ligada ao passado distante). Para além dos lapsos de memória, a mulher menopáusica pode também sentir problemas de concentração, pensamento difuso/vago e esquecer um evento recente só para o recordar mais tarde.

O que fazer para não esquecer?

  • Rever o regime alimentar e assegurar que esteja repleto de ómega 3 (peixe) que melhora os níveis de consciência e concentração; fruta e legumes (os antioxidantes e vitaminas B, C, D e E presentes nestes alimentos potenciam a memória). Aumentar o consumo de água e diminuir a ingestão de álcool e cafeína.
  • Assegurar que tem tempo de qualidade para si, para aliviar o stress (através de exercício físico, por exemplo) e relaxar (através de actividades como a meditação, pilates ou ioga); sem esquecer uma noite de sono tranquilo de pelo menos 7 ou 8 horas.
  • Manter o cérebro activo através de jogos e exercícios mentais diversos (palavras cruzadas, sudoku, jogos de tabuleiro e de estratégia…).
  • A toma de suplementos de plantas medicinais ou outras terapias alternativas como a acupunctura, biofeedback, aromaterapia ou hipnoterapia já provaram ser extremamente eficazes em muitos casos.
  • Se a mudança de alguns destes hábitos não produzir os efeitos desejados, é importante consultar o seu médico que lhe pode receitar a terapia de substituição hormonal, ou seja, o tratamento base para uma mulher menopáusica.
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