Como lidar com a irritabilidade na menopausa

Ainda que seja um processo previsto na vida de qualquer mulher, a menopausa desencadeia alterações físicas e psicológicas com que nem sempre é fácil lidar. O surgimento de fases intensas de irritabilidade é exemplo disso, assumindo uma das maiores preocupações das mulheres em idade menopáusica.

Irritação precoce?

Ainda que a idade média de surgimento da menopausa ocorra entre os 50 e os 55 anos, a verdade é que esta fase começa a sentir-se logo por volta dos 45 anos de idade. É chamado o período pré-menopausa, e carateriza-se pela diminuição dos níveis de estrogénio e pelo aparecimento de alguns sintomas como a diminuição dos períodos menstruais (que se alteram para fluxos inconstantes), diminuição do desejo sexual, secura vaginal, dores no ato sexual, ondas de calor, suores noturnos, aumento do risco cardiovascular, osteoporose, insónias, alteração do aspeto da pele, cabelo e unhas, dores de cabeça, aumento da vontade de urinar, ansiedade e a tal irritabilidade.

Mas de onde vem este mau feitio?

Os afrontamentos e os suores frios que surgem normalmente de noite, provocam a dilatação e a contração dos vasos sanguíneos, contribuindo para o surgimento das dores de cabeça, das palpitações e da irritabilidade. Em simultâneo, a diminuição das hormonas responsáveis pelos níveis de energia, originam um estado de cansaço constante, dificuldades de concentração, perda de memória e alterações de humor. Como se pode perceber, a irritabilidade que habitualmente carateriza as mulheres na fase pré-menopausa é muito mais que uma predisposição emocional…

Irritabilidade vs. depressão

As alterações de humor, por si, originam estados de ansiedade, desmotivação e irritabilidade e, consequentemente, alterações no comportamento que podem chegar mesmo a estados depressivos. Esta fase complicada, em que a mulher está mais vulnerável, pode causar sentimentos de tristeza, desânimo, vontade incontrolável de chorar e humor alterável – o que, se não for alvo de tratamento médico, pode transformar-se em transtornos psiquiátricos e quadros depressivos.

Sim ao tratamento!

Todos estes sintomas da menopausa e da pré-menopausa podem (e devem!) ser alvo de acompanhamento médico, existindo hoje em dia soluções e medicamentos que controlam e evitam as consequências destas fases, e que podem passar por:

  • Reposição hormonal: compensa a falta de estrogénios com a ingestão de medicação. Esta terapêutica ajuda a equilibrar a produção e a reabsorção do tecido ósseo, a fortalecer os tecidos vaginais e a melhorar a lubrificação, estimulando a produção de colagénio, aumentando a elasticidade da uretra e do sistema excretor, melhorando ainda o sistema cardiovascular. A reposição hormonal evita ainda o aparecimento da osteoporose (perda da densidade óssea e a fragilidade dos mesmos) e da incontinência urinária.
  • Dieta: a diminuição do excesso de peso é essencial nesta fase da vida das mulheres. Torna-se, por isso, extremamente importante melhorar os hábitos alimentares, seguindo uma dieta equilibrada e rica em:
    •  proteína de soja (reduz o calor, a irritabilidade e o desconforto)
    • vitamina E e cálcio (reduzem as dores de cabeça, a irritabilidade, as insónias e a depressão)
    • linhaça (que, sendo rica em ómega 3, sais minerais e vitaminas, regula o intestino, fortalece o sistema imunológico e evita tumores da mama e dos ovários).
  • Exercício físico: a aeróbica, as caminhadas, a natação, a musculação e o ioga são atividades excelentes para ajudar a controlar o peso, prevenindo doenças cardiovasculares, ajudando na liberação de endorfinas cerebrais, estabilizando as emoções, promovendo uma melhor irrigação óssea e muscular e diminuindo as dores articulares e musculares.
  • Regulação do sono: é sabido que um sono regular mantém o humor estável e diminui os níveis de irritabilidade, por isso, aconselha-se que as mulheres na menopausa evitem consumir bebidas com cafeína à noite, pratiquem exercícios de relaxamento e evitem atividades mais enérgicas no final de cada dia, de forma a garantir noites com um sono reparador – do corpo e da mente.
  • Homeopatia e fitoterapia: tratando-se de terapias que funcionam à base de plantas e ervas naturais, estas contribuem para estabilizar o fígado, diminuir a irritabilidade e as insónias, controlando simultaneamente as dores articulares e o mau humor.

Apesar das consequências óbvias que a menopausa apresenta logo a partir dos 45 anos de idade, é importante que as mulheres optem, desde cedo, pela prevenção e pelo devido acompanhamento médico. Sabendo que a esperança média de vida é cada vez mais alta, é importante ter consciência que a fase pós-menopausa faz parte dos anos ativos da vida social e profissional de qualquer mulher – por isso, a prevenção oferecerá que a segunda metade da vida das mulheres seja aproveitada com a melhor saúde (física e mental) possível.

 

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