Como lidar com as alterações de cabelo na menopausa

Mulger a pentear o cabelo

As alterações de cabelo são um dos primeiros sintomas sentidos por mulheres que estão a entrar na menopausa, sendo uma situação que afeta pelo menos metade da população menopáusica. Por estar intimamente associado à feminilidade, ao estilo e à sensualidade de cada mulher, para além de mudanças físicas, as alterações de cabelo também podem criar sentimentos de depressão, tristeza e de se sentirem menos atrativas.

O nosso cabelo

Regra geral, temos cerca de 100,000 cabelos que se mantêm na cabeça durante 2 a 6 anos – período durante o qual continuam a crescer, exceto durante a sua fase de descanso, que dura cerca de três meses. Durante essa fase o cabelo não cresce, mas quando regressa à sua fase de crescimento, o cabelo que esteve “parado” é “empurrado” pelos novos cabelos, o que resulta na queda de cabelo. Quando este processo natural é ainda influenciado pelas alterações hormonais típicas da menopausa, o enfraquecimento/queda de cabelo é, consequentemente, maior. Esta queda acentuada está diretamente relacionada com a diminuição da produção dos níveis de estrogénio, uma vez que esta hormona é responsável por ajudar o cabelo a crescer mais depressa e a manter-se na cabeça durante mais tempo. Com a diminuição dos níveis de estrogénio podem aumentar os níveis de androgénio que, ao forçarem os folículos pilosos a entrarem na fase de descanso mais cedo do que o habitual, contribuem para o enfraquecimento gradual do cabelo novo que vai crescer. Para além disso, esta hormona é ainda responsável pelo encolhimento dos folículos pilosos, o que contribui para a queda de cabelo, mas também para o excesso de pelo no rosto.

Alopecia vs. Hirsutismo

As alterações de cabelo durante a menopausa podem manifestar-se principalmente de duas formas: queda de cabelo ou excesso de cabelo e ambas as situações são o resultado direto das mudanças e desequilíbrios hormonais que caracterizam a menopausa, nomeadamente entre as hormonas androgénio e estrogénio. A situação mais comum nas mulheres menopáusicas é o enfraquecimento e/ou queda de cabelo – a esta insuficiência de cabelo chama-se alopecia. Por outro lado, também se pode verificar o excesso de cabelo, ou hirsutismo, que se manifesta através do crescimento excessivo de pelo, principalmente no rosto (queixo, buço, maçãs do rosto…). Nem todas as mulheres sofrem de alopecia e/ou hirsutismo durante a menopausa, mas a maioria vai sentir algum enfraquecimento do seu cabelo.

Outras causas

Para além das alterações hormonais, existem outras causas que podem contribuir para o enfraquecimento e/ou queda de cabelo durante a menopausa: a própria genética e o facto de estar a envelhecer; fatores médicos como a disfunção da tiroide, anemia, alguma doença crónica ou tratamentos de quimioterapia, entre outros; fatores psicológicos como a ansiedade, depressão, stress, a vivência de eventos traumáticos ou perturbações alimentares, entre outros; fatores relacionados com o estilo de vida, como por exemplo a falta de exercício físico, a falta de ferro, proteínas, vitaminas B e C ou o excesso de vitamina A.

Sinais de alerta

Embora seja normal as mulheres perderem entre 50 e 100 cabelos por dia, nem sempre é fácil determinar qual o ponto crítico dessa perda. Alguns dos principais sinais de alerta incluem: a queda acentuada de cabelo durante a lavagem; quando surgirem grandes madeixas de cabelo na escova depois de pentear; surgimento de pequenas zonas calvas ou peladas no couro cabeludo; o couro cabeludo apresenta-se vermelho, oleoso e/ou com comichão; enfraquecimento acentuado do cabelo na parte da frente, no topo ou dos lados da cabeça; algumas mulheres podem ainda notar a queda e/ou enfraquecimento dos pelos púbicos.

Como lidar com as alterações de cabelo

  • Seguir uma dieta alimentar equilibrada, privilegiando os alimentos que potenciam o crescimento do cabelo: carne (principalmente magra e de frango), fígado, peixe, legumes, feijão, abacate, cebolas, ovos, iogurtes, queijo cottage, cereais integrais, nozes, sementes, uvas passas, tâmaras, soja, tofu, óleo de canola, azeite…
  • A prática regular de exercício físico, assim como de técnicas de relaxamento como a meditação, ioga ou pilates também estimulam a regeneração capilar.
  • Utilizar champôs e amaciadores adequados à sua situação – consulte um dermatologista.
  • No caso de se verificar excesso de pelo no rosto, pode recorrer-se à depilação e/ou tratamentos a laser ou por eletrólise.
  • As massagens capilares podem estimular o crescimento do cabelo.
  • Evitar o uso excessivo de secadores e alisadores, bem como tratamentos de cabelo mais agressivos como as colorações e as permanentes.
  • Optar por um corte de cabelo diferente.
  • Proteger sempre o cabelo com uma touca quando frequentar piscinas.  
  • Se tiver excesso de peso, pode tentar emagrecer, uma vez que a gordura estimula a formação de androgénios.
  • As ervanárias também dispõem de alguns medicamentos alternativos, utilizados para o tratamento do enfraquecimento e/ou queda de cabelo.
  • A acupuntura é outra terapia alternativa para estimular o crescimento do cabelo.
  • O tratamento de substituição hormonal, à base de medicamentos orais, é uma das terapias mais utilizadas na menopausa e pode também ser adequada para atenuar sintomas como as alterações de cabelo.
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